Hoje foi um daqueles dias em que eu fiquei feliz por qualquer bobagem que vi na rua. Estava, como sempre, em mais um daqueles momentos reflexivos em que não sei se me entrego de uma vez a essa carência de viver ou se espero mais um pouco para analisar onde esse caminho todo vai dar – a luz no fim do túnel pode ser simplesmente uma lanterna velha piscando na mão de mais um desistente. O fato é que eu nunca fui de ter calma, de deixar as coisas acontecerem. Talvez por isso minhas marcas são tão profundas: eu sempre senti os meus dramas antes mesmo deles acontecerem. E às vezes nem aconteciam. Continuam sem acontecer. Minhas lágrimas insistem em secar no meio percurso pelo meu rosto. E só aos poucos eu vou me dando conta de como isso é ridículo – eu, você, os fantasmas e tudo mais que deixam sombrio nosso relacionamento (se é que pode se chamar assim), que há muito já não precisava mais de tensões. Nunca fui de te escrever, mais eu precisava dizer de uma vez por todas: gosto de você. Sempre gostei e não me condeno por isso, mas a vida – a culpa é sempre dela, essa danada – foi nos afastando de tal forma que nunca tive tempo de te dizer tudo o que eu queria. Faltou coragem, faltou espaço na mente e no coração. Hoje, eu reflito sobre tudo o que passamos – sozinhos, por causa um do outro. E vejo que o assunto não é mais tão intocável. Vejo, acima de tudo, que só superarei certos choros e certos traumas a partir do momento que eu encará-los de frente e acreditar no que eu digo: você não é tão terrível quanto pensei. E mais: estou vivendo muito bem agora, apesar de ter passado dias inteiros só pensando o que diabos você tinha que conseguia me atingir assim. No fim, tudo o que eu peço é que tenha paciência, pois o meu coração lento já não compreende com tanta facilidade essa necessidade das pessoas de nunca permanecerem nas nossas vidas e, ainda assim, se eternizarem em nós.
Só andei pensando que conversar a respeito pode fazer algum bem. De qualquer forma, exercitar o perdão e a capacidade de recomeçar nunca fez mal a ninguém.
Texto retirado do blog Verdade mal contada de Deyse Batista

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