quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Então eu pego o passado, e transformo em poesia-ou-coisa-assim

Só que agora não importa tanto o que você vai pensar sobre isso .
Queria que você soubesse que já vi nossos filmes milhares de vezes e nem chorei . Ok, chorei . Mas pelo filme, e não por você .
Queria que você soubesse que tirei a poeira das nossas músicas, e que as ouço quase todos os dias . Porque elas me faziam mais falta do que você fez .
Os nossos lugares não são mais nossos. Eu já voltei lá com outras pessoas, e escrevi lá outras histórias .
Eu estou aprendendo a tocar violão . E a primeira música que toquei foi aquela música que era uma espécie de hino pra nós dois . Ela é tão linda … E sim, ela continua sendo muito nossa e lembrando demais você . Mas ainda sim, não dói . Você não pergunta essas coisas, mas sei que gostaria de saber . Porque te conheço . E isso não mudou .
Do mesmo jeito que adivinhei as coisas ruins que você aprontaria, eu sei as coisas boas que ficaram aí em você e te fazem lembrar de mim .
Porque a vida segue . Mas o que foi bonito fica com toda a força . Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga .
E a gente lembra . E já não dói mais . Mas dá saudade . Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás .
(Então eu pego o passado, e transformo em poesia-ou-coisa-assim) .

Caio Fernando Abreu
Postagem: K. Alberti e J. Mendonça

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