quinta-feira, 7 de julho de 2011

Como é mesmo? Ah, sim. In-ten-sa-men-te.

Tenho me sentido estúpida. E, acima de tudo, clichê. Parece que ninguém entende a minha aflição de estar sempre em cima do muro que divide aquilo que eu era e aquilo que pretendo ser – ambas as vidas são bem tentadoras e é isso que vem me tirando o juízo dia a dia. Penso que nada é por acaso e vejo mensagens subliminares até na caixinha de achocolatado – no noticiário da TV, nas músicas aleatórias do meu Media Player. Indiscutível como sempre toca justamente aquilo que eu fazia questão de jamais chegar a ouvir – mesmo tendo sido fraca o suficiente para jamais apagar da memória do computador. Aí eu ponho a culpa no destino, nas cartas, em runas antigas, no movimento do sol, no calor que faz na cidade... E fica sempre a dúvida: qual o próximo passo? O que vem a seguir, quando nada eu posso prever? Imagino que a linha da vida seja um pouco mais justa que isso, afinal. Que eu não tenha sempre que viver de restos – o que restou do conhaque, o que sobrou de forças para comemorar, o que falta para o fim da noite de sexta. Nunca fui o estilo mulherzinha, mas um desejo nunca abandonei: quero ser importante. Para quem quer que seja. Quero ser a primeira opção de alguém, e não apenas mais um número na lista telefônica. Quero encontrar pela sala do meu apartamento lembranças da noite passada, quero andar pela cidade e ver em cada esquina um traço da minha história. Quero não precisar escrever por medo de esquecer de mim. Acho que quero algo que ninguém pode me dar.
Estou precisando sentir algo bem forte, arrebatador. E apesar de nada me fazer falta alguma, dizem que isso é coisa de quem precisa viver mais... Como é mesmo? Ah, sim. In-ten-sa-men-te.

Texto retirado do blog 'verdade mal contada' de Deyse Batista

Nenhum comentário:

Postar um comentário