Não era um sorriso forçado, não era uma avenca murcha. Não era um coração partido, não era uma saudade doída. Não era frio, não era agosto: era verão, sábado de julho e sonhos infantis. Não era solidão, não era abandono e muito menos desprezo: era segurança, mais para os outros que para si. Era medo, de vez em quando. Era insegurança, todo o tempo. Era querer acreditar. Não era palavra ou um verso rimado; não era frase feita ou soluções mágicas. Não era tão perto, mas nem tão distante. Não era meio-termo, mas também nenhum extremo. Não era ódio – era indiferença. Não era paixão, não era amor – era mais. Não era guerra nem paz: era trégua, tragédia, comédia. Drama. Não era pra sempre nem nunca mais. Era pouco, às vezes muito, quase sempre nada. Era algo que não quer dizer coisa alguma. Era sofrimento à toa. Era descobrir coisas importantes já muito tarde. Era não descobrir jamais. Não era enganação – era vencer o desimportante, viver o útil e congelar ambos. Era chorar pelo que não se sente, sentir por quem não se conhece, conhecer muito o quê lhe faz chorar. Era culpada de tudo. Não era culpa de ninguém
Texto retirado do blog 'verdade mal contada' de Deyse Batista

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